terça-feira, 31 de março de 2026

OSSERVAZIONE SORA IL TESTO LETTERA 21 .9.1898

 Osservazioni

Il tono è un misto di umiltà cristiana e arguta polemica veneta, dove l'autore usa la penna come una spada per difendersi dalle accuse del celebre (e altrettanto spigoloso) Padre Pietro Colbacchini.

Ecco un'analisi dei punti salienti e delle curiosità linguistiche del testo:


1. Il Conflitto tra i due confratelli

La lettera rivela una frattura profonda tra Seganfreddo e Pietro Colbacchini (figura storica fondamentale per l'emigrazione italiana). Seganfreddo si difende da accuse pesantissime:

  • L'esame di morale: Viene accusato di ignoranza, costringendo un uomo anziano ("rispettabili canizie") a sostenere di nuovo gli esami davanti al Vescovo.

  • Il "matrimonio polacco": Qui Seganfreddo lancia una stoccata magistrale. Accusato di aver celebrato un matrimonio nullo, scopre dai registri che l'errore era stato commesso proprio dal suo accusatore, Colbacchini. Il commento "toccò a lui quello che toccò ai pifferi di montagna: restò suonato" è puro spirito popolare.

  • L'astuto Cimbro: Il soprannome dato da Colbacchini rivela le radici vicentine (l'altopiano di Asiago) di Seganfreddo, usate quasi come un insulto etnico, a cui lui risponde con la fierezza di chi ha "buone spalle".

2. La Vita Dura nelle Colonie

Il quadro descritto è quello di una Chiesa poverissima e di una logistica infernale:

  • Economia di sussistenza: Seganfreddo sopravvive mangiando polenta e bevendo "il vino degli Apostoli" (acqua).

  • I debiti e il viaggio: Emerge la questione dei costi del viaggio dall'Italia, che i missionari dovevano rimborsare.

  • Il colono Giuseppe Faedo si trovava a Piacenza, in Italia, e lasciò una somma di denaro al vescovo Scalabrini per pagare il viaggio di due missionari. Tuttavia, non si può affermare che i missionari stessi fossero obbligati a pagare di tasca propria il viaggio verso la missione.

  •  Commovente il passaggio sulla sua "sventurata famiglia" e i fratelli con 6 o 7 figli che non possono restituirgli il denaro.

  • Il cavallo di San Francesco: Una bellissima espressione per dire che è rimasto a piedi (camminando con i propri piedi, come i francescani), dopo che Colbacchini gli ha tolto il cavallo.

3. Strategia Pastorale e "Geopolitica" delle Anime

Seganfreddo non si lamenta solo: propone una soluzione pratica. Critica la scelta di Colbacchini di stare a Nova Bassano (un angolo scomodo) e propone un'unione con Padre Serraglia per coprire meglio il territorio di Capoeiras (l'attuale  Nova Prata. Denuncia un problema reale: la gente che muore senza sacramenti a causa delle distanze e della rigidità territoriale di Colbacchini, che gli proibisce di entrare nel suo territorio nonostante le necessità dei coloni.

4. Analisi del Linguaggio e delle Espressioni

Il testo è infarcito di espressioni idiomatiche e "frasi locali" che hai chiesto di considerare:

  • "Pifferi di montagna": Dal proverbio "Andare per suonare e restare suonati". Si riferisce a chi va con l'intenzione di dare una lezione e finisce per riceverla.

  • "Vino degli Apostoli": Metafora ironica per l'acqua.

  • "Mettere la mosca al naso": Perdere la pazienza, irritarsi.

  • "Cavallo di San Francesco": Andare a piedi.

  • "Recida quam primum questo albero infetto": Qui il tono diventa drammatico e latino, citando le parole durissime che Colbacchini avrebbe scritto a Mons. Scalabrini per farlo cacciare.


Una riflessione finale

Padre Seganfreddo emerge come una figura molto umana: si arrabbia, vorrebbe usare un "nodoso bastone" contro i confratelli, ma poi "scaccia la tentazione cantando una strofa". La sua devozione ai coloni, che lo ricambiano con sacchi di frumento, è il segno di una missione che, nonostante i litigi interni, stava gettando le basi della comunità italiana nel Rio Grande do Sul.


CARTA DE VINTE E UM DE NOVEMBRO DE 1898-ENDEREÇADA AO PADRE JOSÉ MOLINARI

  Capoeiras 21 de novembro de 1898

Ao 

Reverendissimo Senhor Reitor


. “O Sr. se  queixou de meu longo silêncio. Tem razão. Mas agora, com essa minha longa carta , pretendo suprir o silêncio passado. E o Sr. fará  a gentileza de lê-la  toda antes de jogá-la no cesto do lixo.. No início do corrente mês, mediante o cônsul italiano de Porto Alegre, lhe despachei um vale de 206 liras italianas ouro, rogando-lhe o obséquio de fazer celebrar  60 missas na minha intenção. É primeira vez que lhe envio dinheiro e  vejo-me obrigado pela necessidade a pedir   o compromisso destas missas; mas no  futuro não será mais assim! Enviarei dinheiro sem o compromisso de missas. Pus em ordem todos os meus compromissos e minhas obrigações e não me resta mais nada a pagar.. Encontro-me há dois anos neste Brasil e, especialmente desde setembro de 1897, sempre fui perseguido. Agora parece que a tempestade esteja amainando e se acalme a procela. O Pe. Pedro Colbachini não diz mais nada por enquanto a meu respeito. Estou porém pressentindo  que devo ficar alerta.. E, na medida do possível, agora somos até bons amigos, suportando tudo sem  retrucar . Deu-me um apelido que não me vai nem bem nem mal: chama-me “o astuto cimbro”, pois sabe que sou descendente dos cimbros. Tenho ombros largos  e aguento tudo. Certo é que não me encontrou tão  debilitado  quanto esperava! Não sei por qual razão o Pe. Pedro queria expulsar-me destas colônias e para (realizar) seu plano  utilizou-se  de calúnias. Escreveu ao Bispo de Porto Alegre dizendo-lhe: o Pe. Antônio não sabe a moral. Tive que prestar exames  relativos ao sacerdócio : uma  desonra  para o Instituto ao qual pertenço ! Caluniou-me também de ter realizado um matrimônio nulo de um casal de poloneses. Logo que fui advertido, examinei os papeis e ,abri os registros e encontrei que o tal do matrimônio foi  celebrado  pelo muito reverendo Pe. Colbachini. Então contei ao Bispo como estavam as coisas e a admoestação caiu sobre as costas do Pe. Pedro, ao qual aconteceu a mesma sorte dos pífanos da montanha: em vez de tocar, ficaram tocados! Também se isso tivesse sido verdade, por que escrever logo aos Superiores? Podia chamar-me à atenção e procurar o modo de pôr tudo em ordem, sem espalhar a notícia. . Eu sei que o Pe. Pedro celebrou outros casamentos nulos; e eu, antes de falar, escrevi ao Bispo e ele, com a resposta, me orientou  o que devo fazer. Deste modo, até agora tudo correu muito bem. As raposas velhas não caem tão facilmente na arapuca! Se eu dissesse que entreguei ao Pe. Pedro mais de um conto de réis, ele me excomungaria. E, no entanto, foi isto que aconteceu! Hoje ele nega. Paciência! De setembro de 1897, época em que o Pe. Pedro me advertiu que não mais me queria sob sua autoridade, até o dia de hoje, realizei o que  segue: 1º - Por ordem expressa do Pe. Pedro, tive que entregar ao senhor  Giuseppe Faedo 65$000 mil réis, para indenizá-lo das 500 liras italianas que ele deixou no Instituto de Placência, para  a minha  viagem. 2º - Celebrei 133 missas pelos Revmos padres Francisco Brescianini e Faustino Consoni,     tendo eu pedido uma soma correspondente para poder ir  em viagem até Alfredo Chaves. Os   padres do Paraná também me faltaram com a fraternidade. ! Eu, para trazer o baú deles(material) , tive que gastar as 220 liras que ainda possuía e   quando cheguei a Santos: entre hotel, o serviço dos carregadores, a alfândega, a viagem, etc.,e fui até Curitiba entregar o material  quando cheguei lá não sobrava mais um vintém. E tive que dormir num barracão, sobre um pouco de palha, porque não tinha dinheiro para o hotel. Eles, por sua vez, não me deram nem um réis em compensação. Que fineza de consciência! Que caridade fraterna! Faz rir até os postes! Eu não dei importância ao fato, mas fiz uma  figura mesquinha junto aos meus Superiores. 3º - Paguei a viagem de minha desventurada família, de Minas a Porto Alegre, e lhe prestei ajuda quando se encontrava em necessidade extrema, na falta de tudo. Meus irmãos prometeram restituir tudo, mas tenho receio  que as coisas irão demorar um tempo . Cosa Vuto? Tenho aqui dois irmãos que moram em Nova Bassano, um tem seis filhos e o outro sete. Portanto  eu não sei   quanto tempo  levarão   para me  restituir o empréstimo. Eles têm boa intenção. Os terrenos de sua propriedade são de ótima qualidade. Esperemos que tudo corra bem! De minha parte, hei de solicitar a restituição assim que começarem a receber pelos produtos excedentes.. Um de meus sobrinhos está com o Pe. Pedro; é o seu Benjamim. Quer enviá-lo para o Seminário, talvez em Placência. Por enquanto o seu mestre é o Pe. Serraglia. 4º - Comprei um cavalo para meu uso. Custou-me 130$000 mil réis. O Pe. Pedro tinha-me comprado um, como o meu  próprio dinheiro, mas quando decidiu não me considerar mais seu coadjutor  ,  tirou-me cavalo  e o vendeu, deixando-me com o cavalo de S. Francisco. Faz somente dois meses que o comprei. Só agora fiz isto, porque antes quis saldar os meus compromissos. Mas Deus Nosso Senhor me foi propício, conservando-me sempre com saúde, forte e robusto mais do que o Pe. Pedro, que se apresenta com  um cavalo que deixa todo mundo de queixo caído, um animal fabuloso como aquele de Hércules, Aquiles, Orlando e Ricieri, etc. Quando o demônio me tenta e me traz à mente as traições  que me fizeram os caros confrades, eu perco as estribeiras e de bom grado tomaria um porrete e bateria neles  sem piedade, na esperança de que semelhante lição os levasse a pôr em prática a virtude da caridade, tanto recomendada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Digo-lhe a verdade, Sr. Reitor, semelhante tratamento não me teriam reservado nem os leigos, nem mesmo os mais ferrenhos anticlericais de nossos dias. Mas resisto à tentação e a afasto cantando alguma canção. 5º - Fiz preparativos para construir aqui uma nova igreja. Para animar a população encomendei, às minhas custas, 10.000 tijolos; mas ainda não terminei de os pagar. Note, porém que, para fazer tudo isto, recorri aos colonos e todo mundo correspondeu, vindo em meu auxílio e trazendo-me, além de outras coisas, mais de  50 sacos de trigo. Parte dele o vendi a 14$000 mil réis, e outra parte, a 12$000 ao saco. Os colonos me querem bem, e isso sem merecimento de minha parte. Nunca me deixaram faltar nada, e levaram para minha casa todo o bem de Deus, de modo que eu não tive que gastar praticamente nada para viver. Foi por isso que pude pagar todas as minhas dívidas e compromissos. De quanto lhe estou dizendo fica evidenciado que os auxílios prestados à minha família não são outra coisa senão a caridade dos colonos, sem causar dano a ninguém Fiz também uma severa economia em tudo, comendo polenta e bebendo o vinho dos Apóstolos, isto é, água. Agora, porém, encontro-me sem roupas, sem mesmo o necessário para viver. Mas, se num ano ou pouco mais pude fazer tanto, para o futuro, se Deus me deixar saúde, tenho fé que colocarei em ordem tudo, embora em quantidade menor, pois me foram tiradas 300 famílias.  O Pe. Pedro não cessou e nem cessará de me perseguir, não às claras, mas na  surdina. Escreveu, e conseguiu do Bispo de Porto Alegre trazer sob sua jurisdição 300 famílias que pertenciam ao meu curato de Capoeiras. Deste jeito, pobre de mim, restam-me somente 350 famílias. Eis aí o motivo porque poderei fazer menos no futuro. Assim, vai se expandindo o território do  Pe. Pedro e eu desejo ir me restringindo sempre mais e viver esquecido pelo mundo inteiro. Com esta divisão, o Pe. Pedro atraiu sobre si a ira dos colonos, e estão protestando.. Ele tem sob seus cuidados mais de 1.300 famílias. Ele fundou sua sede fora do centro, antes, num ângulo. Assim, os que moram mais longe não podem chegar à igreja de Nova Bassano, nem mesmo com um dia inteiro a cavalo. No meio desta selva 

, os doentes morrem sem sacramentos. Eu corro para todos os lados, mas não chego a atender a todos. E, depois, o Pe. Pedro não me permite que vá  ao   seu território. Tenho ordem do Bispo para atender os doentes da sede de Alfredo Chaves, porque o Vigário, sendo velho de 73 anos e tendo mais de 2.000 famílias, não pode e não quer sair para ungir  os enfermos. Por causa disso, tenho que fazer viagens de  até 12 horas a cavalo; e sem nenhuma recompensa. Faço-o de bom grado. : Nosso Senhor me recompensará! Se o Pe. Pedro tivesse fundado sua sede aqui em Capoeiras, teria sido muito mais cômodo, porque aqui existe a estrada geral que atravessa todas as linhas, enquanto em Nova Bassano não existe essa facilidade .. Os colonos devem caminhar sempre no meio  do mato, por travessões estreitos e intransitáveis. Que faça como quer, e esteja a seu  gosto! Durante o inverno, porém, aqueles pobres colonos, que estão sob a jurisdição  de Nova Bassano, devem ir ao Pe. Pedro e pedir  um certificado, ou seja, obter licença para vir batizar seus bebês  aqui em Capoeiras, coisa que só serve para atrapalhar. E falam muito mal. Aqueles colonos exasperados dizem - e com razão: Como é possível levar até Nova Bassano uma criança, através daquelas estradas perigosas ? Um jeito muito simples para remediar  essa situação haveria  se  os Revmos Superiores de Placência dessem ordem para que  o Pe. Antônio Seganfredo e o Pe. Serraglia morassem na mesma sede , e encaminhassem ao Bispo de Porto Alegre o pedido de reconhecer tal fusão  e de entregar aos mencionados padres a jurisdição sobre as novas Linhas - quatro das quais pertencentes à sede de Capoeiras e as outras cinco àquela de Alfredo Chaves - estaria tudo resolvido.   O  Pe. Pedro, que ficaria sozinho, e seria  mais do que suficientes as cinco Linhas de Nova Bassano. Esta solução seria um bem para mim, pois ganharia um coirmão de confiança; seria um bem também para o Pe. Serraglia, pois aqui comigo teria ocasião de se exercitar em seu ministério, enquanto com o Pe. Pedro não pode fazer nada, pois ele não transfere responsabilidade.. O Pe. Serraglia viria de boa vontade. Já falamos nisso. Um dia ele chegou até a dizer: Quanto seríamos felizes nós dois, se pudéssemos morar juntos! Pelo menos eu – disse o Pe. Serraglia – poderia me exercitar. Até que permaneço com o Pe. Pedro eu não vou aprender coisa alguma e ficarei um pobre homem. Da mesma forma, seria um bem para o Pe. Colbachini, pois cessariam todas as iras e discórdias contra ele, e terminariam também as brigas do Pe. Pedro com os vigários das paróquias  confinantes, pois ele não consegue ficar em paz, e sempre levanta questões. Se o Pe. Pedro ficasse sozinho nas cinco Linhas de Nova Bassano, não teria divisa com outra curasia , pois dois terços daquele território ficariam cercados por uma selva desabitada, e do outro lado, pelo rio Carreiro, rápido e cheio de precipícios. Seria, enfim, coisa boa para o nosso Instituto, pois teria a certeza de receber de nós ajuda e socorro mais do que os nossos Rev.mos Superiores esperam. Esta é a pura verdade. Rev.mos Superiores, eu escrevo o que me dita o coração e a consciência. E não sou criança  para tomar  as coisas pela primeira impressão, sem ponderar direito os aspetos favoráveis e contrários. Sem buscar interesses, desejo a ordem e o bem, e nada mais. Tenho certeza de que, se meus Rev.mos Superiores não tiverem perdido completamente a estima do pobre Pe. Antônio Seganfredo, hão de prestar ouvidos às minhas justas causas , razoáveis e  objetivas considerações. Se, pelo contrário, continuarem a dar crédito às calúnias do Pe. Pedro Colbachini a meu respeito, então estará tudo terminado para o pobre Pe. Antônio Seganfredo, o qual não terá mais voz no capítulo. Se as coisas tomarem esse rumo, então eu vou dar aos Revmos Superiores o mesmo conselho que deu o Pe. Pedro Colbachini a meu respeito aos Superiores de Placência - repito as palavras textuais de Colbachini, encontradas por mim mesmo numa carta endereçada a Dom Scalabrini – “Seja expulso da Congregação o Pe. Antônio Seganfredo, corte-se quam primum esta árvore infestada, antes que produza frutos que desonrem a nossa  Congregação”. E continua: “Ele se fez padre sem vocação, e só para não trabalhar e para fazer vida mais cômoda (Aplausos! Basta que depois de ser padre se venha para cá no Brasil para garantir vida cômoda!) usando meios ilícitos também para com Deus, obrigando-o a realizar seu projeto de ser fazer padre”). Esta última frase não se encontra na carta. Ele, porém, a disse muitas vezes em presença do Pe. Antônio Serraglia o qual, conhecendo-me há dez anos e estando  em contato comigo, ficou muito admirado. O que referi é somente uma parte das trapalhadas e originalidades daquele destrambelhado. Deixo fora o resto! Digam-me agora os Revmos Superiores o que fariam se estivessem em meu lugar. Aguardo resposta! Dirão que devo carregar pacientemente a cruz. Mas eu sou tão fraco e ela, de vez em quando, é pesada demais! Se, depois, tiverem pensado em me expulsar da Congregação, quando o Sr. me escrever, queira me comunicar também o que estou devendo ao Instituto, e imediatamente saldarei minha conta. Advirto, porém, que se isto acontecer, logo que tiver terminado de cumprir minhas obrigações, vou me retirar numa selva, porque estou cansado, cansadíssimo deste Mundo canalha! Rogo-lhe, porém a bondade de não encarar negativamente esta minha conversa, porque a mim agrada dizer as coisas claramente, dando o nome aos bois, sem preâmbulos e meias medidas. Saúdo-o, Sr. Reitor, rezo e rezarei sempre a Deus por todos, também pelo Pe. Colbachini. Todos os dias, na missa, faço um momento especial. Dê lembranças também ao Rev.mo Monsenhor Costa, Dalle Piane, Germano, Antônio e João e a todos os coirmãos. A S. Ex.a, o Sr. terá a bondade de dizer alguma coisa em meu favor. Dirá que, mais do que tudo, me desagradam estas discórdias, porque são motivo de tristeza para seu ótimo coração.

 Sou seu servo

Pe. Antônio Seganfredo




Observações:

O padre Antonio Seganfreddo viveu isolado , praticamente dos coirmãos, ele se valia de parentes para ajudá-lo e acompanhá-lo, o irmão Carlo era sacristão, meu avô Pellegrino filho do irmão Giuseppe o acompanhava  e inclusive o meu tio José Seganfredo com 12 anos o acompanhava a cavalo pelas colônias,

-A carta foi escrita um ano depois que o padre Antonio Seganfreddo foi buscar a família do Carlo e os pais em Minas Gerais. Ele pediu  dinheiro emprestado para ir buscá-los e demorou mais de três meses porque era precário o meio de transporte da época: a cavalo ou barcaça até São João de Montenegro, de lá precisava ir até o Porto de Porto Alegre, que era o Lago Guaíba- muita gente se atrapalhava e denominava"mar" porque ali é de fato um "mar  de água doce"- desembocam todos os rrios antes de desaguar no mar .e  tomar um navio a vapor da guarda costeira e ir até São Paulo. A Companha de navios da Guarda Costeira navegava pela costa somente-  Em São Paulo pediu dinheiro emprestado aos coirmãos do Instituto Cristóvão Colombo no bairro Ipiranga. Depois provavelmente pegou um trem até Juiz de Fora Hospedaria Horta Barbosa onde ficaram por uns dias, onde descobriu em qual lavoura estavam. Como ele era um padre, provavelmente conseguiu mais facilmente tirá-los de lá.A viagem de volta foi no mesmo roteiro.

O padre Pedro não havia autorizado a viagem , porém alguns coirmãos o incentivaram.

Aqui ele conta que ao voltar o padre Pedro Colbachini o deixou de lado. Ele permaneceu  em Capoeira, Nova Prata porque havia muito trabalho.

O padre Pedro neste meio tempo escreveu uma carta a Giovanni Battista Scalabrini e outra ao padre Antonio. Quando foi envelopar as cartas trocou-as sendo que a que era para Scalabrini caiu nas mãos do padre Antonio Seganfreddo e vice-versa. Então o padre Antonio ficou sabendo do teor da carta.

Padre Antonio escreve aqui que havia muitos problemas, porque naquela época a rudeza dos colonos levava a cometer atos falhos, como fazer casamentos que estariam fora da lei da Igreja. e encontraram alguns, mas o padre Antonio escreve que um matrimonio de polacos dado como falho quem oficiou foi o proprio padre Colbachini.Que quando desconfiava de alguma falcatrua dos colonos se dirigia ao bispo de Porto Alegre e recebia as instruções.

Escreve também que ao chegar em 1896 trazia uma caixa com vários objetos que devia levar até Curitiba. Lá Chegando não tinha dinheiro para vir até a Colônia Alfredo Chaves. Não recebeu ajuda dos confrades  e teve de dormir em um galpão sobre as palhas por não ter dinheiro para pagar hotel

O sobrinho a que ele se refere que estava com o Padre Pedro e padre Antonio Serraglia era Cirillo Seganfredo , filho de Carlo e Maria Joana. De fato Cirillo estudou depois em um seminário em Porto Alegre, foi para a Itália prestar serviço militar em Maróstica. Retornou, ficou um tempo em Rio Claro-SP lecionando na extensão do Instituto Cristóvão Colombo- que era destinado a acolher órfãos , licenciou-se depois da morte do Padre Antonio em 1912-os estatutos do Instituto para imigrantes de Piacenza permitia- casou-se com Maria Soccol. Foi o único que não trabalhou como agricultor. Tive o prazer de encontrar vário filhos do meu tio bisavô Cirillo Seganfreddo na festa em 2013 em Nova Bassano. Tendo também o dom das artes, Cirillo foi maestro da banda bassanense,posteriormente se apresentou nas temporadas de ópera no Teatro São Pedro. Depois casado com Maria Soccol foi sócio do Frigorífico Sul Riograndense. Com a industrialização também a banha que era considerada o ouro branco deu lugar ao óleo industrializado , fecharam os frigoríficos e deram lugar a empresas industrializadas. Com ligação com a Itália, Cirillo passou a importar e vender moinhos de cilindro.

Como se lê em 1899 faleceu o nosso patriarca Pellegrino Seganfreddo, a mãe foi morar com o filho Giuseppe em Nova Bassano e provavelmente dividiram o lote 37 , Ramiro Barcellos perto do Monte Paréo .Lá, Carlo e Giovanna abriram um pequeno comércio, que infelizmente foi destruído por um incêndio provocado por um rojão que caiu sobre a casa. Perdendo a bodega foram morar em Nova Bassano, Maria Volpato, Carlo e Giovanna com os filhos menores. Ali eles continuaram como uma pequena hospedaria .. 

-Padre José Molinari- esteve  na missão em Curitiba, mas adoeceu depois de um certo tempo. Geralmente os padres missionários adoeciam pela dificuldade na missão, Voltou um tempo para a Itália, trabalhou na América do Norte e em 1900 faleceu com apenas 44 anos de idade

-Anuncia que com´rou 10mil tijolos para começar a construir uma Igreja nova- de fato demorou para ser concluida porque o trabalho da fanricação de tijolos era artesanal.

Por isso devemos ler e venerar estes missionários italianos que deram a vida pelos imigrantes europeus. Não era só italiano o imigrante, havia poloneses, russos, ucranianos, alemães.



-Fontes de pesquisa:

-Raízes de  um povo- Dom Redovino Rizzardo

-Pioneiros Scalabrinianos no Rio Grande do Sul

-História Oral Eda Seganfreddo Padão 

-Arquivo da congregação Scalabriniana em Roma- Giovanni Terragni

-Parecer da tradução:Clea Ana Seganfredo

-colaboração de Vilmar Antonio Troian

-melhoramento da visibilidade da cartas manuscritas- Fernanda do Canto



CARTA TRANSCRITA ANO DE 1898- ESCRITA EM 21 DE NOVEMBRO- PADRE ANTONIO SEGANFREDDO A GIUSEPPE MOLINARI


 

Capoeiras   21 novembre 1898

Molto Reverendissimo Rettore

 

Si è lagnato del mio lungo silenzio, ha avuto ragione ma con questa lunghissima chiacchierata intendo di supplire al silenzio passato e la’ avrá la complasiensa di leggerla tutta prima di stracciarla.

Ai primi del corrente col mezzo del console italiano di Porto Alegre le ho spedito un vaglia di italiane lire 206, in oro, pregando di far celebrare N° 60 messe secondo la mia intenzione. Per la prima volta che le spedisco del denaro, son costretto dalla necessità di accompagnarlo coll'obbligazione delle suddette messe, ma per l'avvenire non sarà più cosi; le spedirò del denaro senza l’obbligo delle messe; ho accomodato   e soddisfatto tutti miei impegni e le mie obbligazioni e nulla più mi resta.  Trovandomi da due anni in questo Brasile e specialmente dal settembre 1897, fui sempre perseguitato; ora sembra che la tempesta vada un po’ scemando e si acquieti la procella. Il padre Pietro Colbacchini non dice per ora più nulla al mio carico; bene inteso che devo stare in guardia, e siamo anche buoni amici per quanto si può; sopportando tutto senza farne parola. Mi appiccicò un nome che non mi va, né bene né male, e mi chiama l’astuto cimbro”, perché sa che son discendente dai Cimbri. Ho buone spalle e sopporto tutto; certo che non mi trovò tanto debole come si credeva.  Non so poi per quale ragione volesse il P. Pietro farmi scacciare da queste colonie, e per ottenere il suo intento usò delle calunnie. Scrisse al Vescovo di Porto Alegre dicendogli: ‘Il Padre Antonio Seganfreddo non sa la morale; dovetti portare li mie rispettabili canizie innanzi a Mons. Vescovo e dovetti dare gli esami; poco onore all'Istituto.  Poi mi calunniò di aver fatto un matrimonio polacco nullo. Ricevuto l'avviso, esaminai la cosa, ho aperto i registri e trovai che quel tal matrimonio era stato fatto dal Mol. Rev. P. Colbacchini. Allora dissi al vescovo come era la faccenda e il monito cadde sopra il P. Pietro, e toccò a lui quello che toccò ai pifferi di montagna; restò suonato. Se ciò fosse stato anche vero, perché scrivere subito ai superiori? poteva avvertirmi e cercare il modo di accomodare la cosa senza pubblicità.  Io so che il p. Pietro ne ha degli altri matrimoni nulli, eppure io non feci parola a nessuno. Io quando conosco che un atto é dubbio non lo compio, se prima non lo ho scritto al Vescovo; ed dice ed egli colla risposta mi dice che cosa devo fare, e così finora tutto andò benissimo. Le volpi vecchie non si lasciano tanto facilmente a prendere alla tagliola(trappola), Se io avessi a dire di aver consegnato al P. Pietro più di un Contos di réis mi farebbe scomunicare eppure la cosa é così; ha negato a quest’oro. Pazienza. Dal 7 settembre 1897, tempo in cui il P. Pietro Colbachini mi avverti con lettera che non mi vuole più sotto la sua  potestá , e fino al giorno d’oggi ho eseguito quanto segue:1- Per ordine  e comando di P. Pietro ho dovuto consegnare al Faedo Giuseppe 650,000 Milréis e questi per risarcirlo delle 300 lire italiane lasciate all'Istituto di Piacenza per mio conto, cioè per il viaggio- ( viaggio Italia-Brasile  anno 1896). 2. Ho celebrato 133 messe per i P. Reverendissimi Francesco Brescianini e Faustino Consoni, avendo io domandato tale somma corrispondente onde poter terminare il mio viaggio fino ad Alfredo Chaves (Colônia Alfredo Chaves). Buffoni anche i padri del Paraná. Io per condurre a loro cassa (baule con oggetti vari) ho dovuto consumare le 220 lire che ancora mi restavano quando giunsi a Santos; e tra hotel, facchinaggio e dogana, viaggio, ecc. quando fui a Curityba non ne aveva un centesimo e dovetti dormire in un baraccone su un po’ di strame per non aver denari di andare all’hotel; e non diedero neppure un réis in compenso. Che coscienze grosse; che carità fraterna da far ridere anche i polli.  Per me è stato lo stesso, ma intanto ho fatto meschina figura verso i miei R.R.  Superiori. 3- Ho pagato il viaggio da Minas Gerais a Porto Alegre alla mia sventurata famiglia e l’ho aiutata quando si trovava all’estrema necessità e nei bisogni piú urgenti. I miei fratelli mi hanno promesso la restituzione 

 ma temo che andrà un po’ per le lunghe. Che vuole Signore Rettore? Ho qui due fratelli che abitano al Novo Bassano; uno ha sei figlioli e l'altro sette e per conseguenza non so come faranno la restituzione. Intanto hanno buona intenzione; i terreni che posseggono sono di buonissima qualità! speriamo bene, li solleciterò. Uno dei miei nipoti é col Padre Pietro, è proprio il suo Beniamino, lo vuol mandare in seminario, forse a Piacenza. Per ora il suo maestro é il padre Serraglia. 4-Ho comprato un cavallo per mio uso, mi costò 130$000mil réis. Il padre Pietro me aveva comperato uno ben inteso coi miei denari, ma quando mi scacciò, me lo tolse, e lo ha venduto, lasciandomi a piedi col cavallo di San Francesco; e sono soltanto due mesi che lo ho comperato. Feci questo perché prima ho voluto adempiere alle mie obbligazioni. Ma il Signor mi compensò lasciandomi   sempre sano, forte e robusto, più del padre Pietro che sempre cavalcò un cavallo che è l'ammirazione di tutti, e si può dire che sia un cavallo favoloso come quello di Ercole, Achille, Orlando, ecc. 

Quando il diavolo mi tenta e mi fa venire in mente le azioni che mi hanno fatto i   Rev.mi confratelli , me viene la mosca al naso e prenderei volentieri in mano un nodoso bastone e li bastonerei senza pietà,  sperando con simile lezione, che  avessero avessero da mettere in pratica la virtù della carità tanto raccomandata  da Nostro Signore Gesù Cristo .Le dico il vero signor Rettore che  simili azioni non me le avrebbero usate neppure i secolari, neppure i più spietati mangia pretti dei nostri giorni . Ma non mi lascio vincere dalla tentazione e la scaccio cantando una qualche strofa. 5- Ho fatto preparativi per costruire qui una nuova Chiesa, e per animare la popolazione feci fare a mie spese 10.000 mattoni, ma non ho ancora terminato il pagamento. Noti però che per far tutto questo ho ricorso ai coloni e tutti corrisposero e vennero in mio aiuto, portandomi ogni prima di tutto piú di 50 sacchi di frumento; l'ho venduto una parte a 14.$000mil réis e l’altra a 12$000milréis . Mi vogliono bene i coloni, e questo senza alcun mio merito.  Poi non mi hanno lasciato mancare nulla e mi portarono alla mia casa ogni ben di Dio, sicché per vivere io non ho speso, si puó dire , nulla affatto e per questo potrei pagare tutti i miei debiti e tutte le mie obbligazioni . E da tutto questo ne risulta che gli aiuti prestati alla mia famiglia altro non sono che la caritá dei coloni, senza recar danno a nessuno.

Ho fatto anche una stretta economia in tutto mangiando polenta e bevendo il vino degli Apostoli, cioè acqua. Ora poi me trovo senza vesti, mancante anche del necessario alla vita, ma se in un anno poco più ho potuto far tanto per l'avvenire, se Iddio mi lascia la salute, spero accomodare anche il resto, bene inteso , in minor  quantità , perché mi furono tolte 300 famiglie.  Il padre Pietro non ha cessato né cesserà di perseguitarmi, bene inteso alla sordina.  Scrisse ed ottenne dal vescovo di Porto Alegre di avere sotto la sua giurisdizione 300 famiglie che appartenevano alla mia cura della Capoeiras. Così a me restano soltanto 350 famiglie, ecco la ragione per la quale farò meno per l’avvenire. Che si allarga il padre Pietro ed io desidero di restringermi sempre più, e di vivere dimenticato dal mondo intero.  Il padre Pietro per questa divisione si tirò addosso l’ira e l’odio dei coloni e nulla si fa di bene. Egli ha sotto la sua cura piú di  1300 famiglie; egli ha fondato la sua sede fuori del centro , anzi in un angolo. ed i  più lontani non possono arrivare alla chiesa  del novo Bassano, neppure in un giorno intero a cavallo. Intanto gli infermi muoiono senza sacramenti. Io corro dappertutto, ma non posso attendere a tutti  e poi don Pietro non  mi permette che vada sul suo territorio. Ho ordine dal vescovo di Porto Alegre di andare per gl’infermi della sede di Alfredo Chaves, perché il vicario vecchio di 73 anni ed avrà piú di 2.000 mila famiglie. non può e non vuole andare per l’assistenza degli infermi e per questo mi tocca fare viaggi anche di 12 ore a cavallo, e senza nessuna ricompensa. Lo faccio volentieri, il Signore mi ricompenserà. Se il padre Pietro avesse fondato la sua sede qui alla Capoeiras sarebbe stato molto piú comodo, perché qui c'è la strada carreggiabile che attraversa tutte le linee, mentre del Novo Bassano non c'è nulla; devono camminare sempre attraverso il bosco  e per stretti sentieri impraticabili, che si accomoda, faccia a suo modo. Nell’inverno quei poveri coloni che sono sotto al Novo Bassano, devono andare dal P. Pietro e farsi fare un certificato, ovvero ottenere un permesso per venire a battezzare i loro bambini qui da me; cose che non stan bene, e dicono molto male, e fanno inasprire gli animi, e quei poveri coloni dicono con ragione: “Come è possibile con quelle strade sì perfide poter portare un bambino al Novo Bassano? Si potrebbe rimediare a tali disordini molto bene e con facilità, se i Reverendissimi Superiori di Piacenza comandassero che il p. Antonio Seganfreddo e il P. Antonio Serraglia fossero uniti e pregassero Monsignor Vescovo di Porto Alegre a voler riconoscere tale unione e volesse dare ai suddetti padri la giurisdizione sulle nove linee, quattro delle quali appartengono alla sede della Capoeiras e le altre cinque a quella di Alfredo Chaves.  Al padre Pietro, restando solo, sarebbero più sufficienti le cinque linee del Novo Bassano. Questa decisione sarebbe un bene per me perché avrei un confratello di fiducia in mia compagnia. Sarebbe un bene pel P: Serraglia, perché qui con me avrebbe occasione di esercitarsi nel suo ministero, mentre col P.  Pietro non fa mai nulla, e tutto vuol far lui. Il padre Serraglia verrebbe volentieri, ne abbiamo parlato.

Anzi un giorno mi disse: quanto felici se fossimo uniti noi due; almeno io, disse il p. Serraglia, potrei esercitarmi, e finché starò col p. Pietro io non imparerò mai niente, e resterò un povero uomo. Sarebbe un bene per il p. Colbacchini, perché cesserebbero per lui tutte le ire e le discordie e cesserebbero anche le dissensioni coi vicari confinanti col padre Pietro, perché egli non può stare in pace. Se il Padre Pietro restasse solo restasse colle cinque linee del Nova Bassano non confinerebbe con nessun vicario, perché sarebbe quel territorio circondato per due terzi da una selva disabitata e dall’altra dal Rio Carrero rapido e precipitoso. Sarebbe un bene per l’Istituto perché sarebbe certo di avere da noi aiuti e soccorsi più di quello che nostri Reverendissimi Superiori si aspetterebbero. Questa é la pura verità, dico   ciò che mi detta il cuore e la coscienza. Reverendissimi Superiori e neppure sono un ragazzo che prenda le cose serie come prima impressione senza ponderarle bene.  pro e contra e senza spirito di parti. Desidero l’ordine e il bene e niente altro. Se i miei Reverendissimi Superiori non avranno perduto del tutto la stima del povero Padre Antonio Seganfreddo son certo che daranno ascolto alle mie giuste ragionevoli e veritiere  osservazioni.

Se poi avranno dato ascolto alle calunnie del P. Pietro Colbacchini verso di me , allora è finita per il povero p. Antonio Seganfreddo e non avrá piú voce in capitolo.

Se ció  fosse, allora io darei ai miei superiori quel medesimo consiglio che ha dato il padre Pietro Colbachini ad mio riguardo agli stessi miei Superiori di Piacenza : ed io non faró altro che ripetere le testuali parole del padre Colbacchini trovate io stesso su d’una lettera indirizzata a Monsignor Giovanni Battista Scalabrini vescovo di Piacenza e mio Superiore Generale , nella qual lettera sta scritto a mio carico:” Sia scacciato dalla Congregazione il padre Antonio Seganfreddo si recida quam primum questo albero infetto  prima che produca frutti disonoranti la medesima congregazione  e  continua “egli si é fatto prete senza vocazione e solo per non lavorare , e per far vita piú comoda (applausi, basta dopo essere preti venire qui in Brasile per far vita comoda), continua, usando mezzi illeciti  anche verso Iddio, costringendolo , onde ottenere il suo intento e farsi prete‘’; quest’ultima frase non  è  sulla lettera, lo disse piú volte in presenza del P.Antonio Serraglia, il quale conoscendomi da dieci anni e sempre uniti, fece meraviglie. Ciò che le ho detto é soltanto una parte, lasciando tutte le altre peripezie e sciocchezze del suddetto (organo). Mi dicono Reverendissimi Superiori se fossero nei miei panni che cosa farebbero? Attendo risposta.   Mi diranno, portar volentieri la croce, ma io son tanto debole e qualche volta pesa troppo. Se poi avranno pensato di scacciarmi dalla Congregazione, scrivendomi, prego a volermi mandare anche quanto devo all'Istituto e prontamente soddisferò tutto. E se ciò avverrà, appena avró terminato di adempiere ai miei doveri, mi ritirerò in una selva, perché son stanco e stanchissimo di questo mondo birbone.

Mi raccomando di non prendere in mala parte i miei detti, perché a me piace il dire le cose nette e tonde senza preamboli e senza finzioni.

La riverisco Sig. Rettore , prego e pregherò sempre il buon Dio per tutti; anche per il P.Pietro Colbacchini faccio sempre tutti i giorni un memento speciale nella Santa Messa. Così pure mi ricordi Rev. Mons. Costa, Dallepiane, Germano e l’ Antonio  e Giovanni e tutti i miei confratelli. A Monsignor Vescovo poi dirà, Vostra Rev., qualche cosa per me; le dirà che piú di tutto mi dispiacciono queste discordie, perché sono causa di amarezze all’ottimo suo cuore.

Sono suo servitore

Padre Antonio Seganfreddo  

 

 

Observações:

-carta transcrita com o italiano da época, muitas palavras não são mais usadas

-A carta foi escrita um ano depois que o padre Antonio Seganfreddo foi buscar a família do Carlo e os pais em Minas Gerais. Ele pediu  dinheiro emprestado para ir buscá-los e demorou mais de três meses porque era precário o meio de transporte da época: a cavalo ou barcaça até São João de Montenegro, de lá precisava tomar um navio a vapor da guarda costeira e ir até São Paulo. Em São Paulo pediu dinheiro emprestado aos coirmãos do Instituto Cristóvão Colombo no bairro Ipiranga. Depois provavelmente pegou um trem até Juiz de Fora Hospedaria Horta Barbosa onde ficaram por uns dias, onde descobriu em qual lavoura estavam. Como ele era um padre, provavelmente conseguiu mais facilmente tirá-los de lá. A viagem de volta foi no mesmo roteiro.

O padre Pedro não havia autorizado a viagem , porém alguns coirmãos o incentivaram.

Aqui ele conta que ao voltar o padre Pedro Colbachini o deixou de lado. Ele permaneceu  em Capoeira, Nova Prata porque havia muito trabalho.

O padre Pedro neste meio tempo escreveu uma carta a Giovanni Battista Scalabrini e outra ao padre Antonio. Quando foi envelopar as cartas trocou-as sendo que a que era para Scalabrini caiu nas mãos do padre  Antonio Seganfreddo-foi o que contou Dom Laurindo Ghizzardi-evice-versa. Então o padre Antonio ficou sabendo do teor da carta.

Padre Antonio escreve aqui que havia muitos problemas, porque naquela época a rudeza dos colonos levava a cometer atos falhos, como fazer casamentos que estariam fora da lei da Igreja. e encontraram alguns, mas o padre Antonio escreve que um matrimonio de polacos dado como falho quem oficiou foi o proprio padre Colbachini. Que quando desconfiava de alguma falcatrua dos colonos se dirigia ao bispo de Porto Alegre e recebia as instruções.

Escreve também que ao chegar em 1896 trazia uma caixa com vários objetos que devia levar até Curitiba. Lá Chegando não tinha dinheiro para vir até a Colônia Alfredo Chaves. Não recebeu ajuda dos confrades  e teve de dormir em um galpão sobre as palhas por não ter dinheiro para pagar hotel

O sobrinho a que ele se refere que estava com o Padre Pedro e padre Antonio Serraglia era Cirillo Seganfredo , filho de Carlo e Maria Joana. De fato, Cirillo estudou depois em um seminário em Porto Alegre, foi para a Itália prestar serviço militar em Maróstica. Retornou, ficou um tempo em Rio Claro-SP lecionando na extensão do Instituto Cristóvão Colombo- que era destinado a acolher órfãos , licenciou-se depois da morte do Padre Antonio em 1912-os estatutos do Instituto para imigrantes de Piacenza permitiam- casou-se com Maria Soccol. Foi o único que não trabalhou como agricultor. Tive o prazer de encontrar vários filhos do meu tio bisavô Cirillo Seganfreddo na festa em 2013 em Nova Bassano. Tendo também o dom das artes, Cirillo foi maestro da banda bassanense, posteriormente se apresentava nas temporadas de ópera no Teatro São Pedro. Depois casado com Maria Soccol foi sócio do Frigorífico Sul Riograndense. Com a industrialização também a banha que era considerada o ouro branco deu lugar ao óleo industrializado , fecharam os frigoríficos e deram lugar a empresas industrializadas. Com ligação com a Itália, Cirillo passou a importar e vender moinhos de cilindro. 

-Anuncia que comprou 10 mil tijolos e pretende construir uma Igreja  nova

Como  a língua italiana naquela época apenas estava sendo difundida em todo território  tem  palavras que  não se usam mais

 


Fontes de pesquisa:

-Raízes de  um povo- Dom Redovino Rizzardo

-Pioneiros Scalabrinianos no Rio Grande do Sul

-História Oral Eda Seganfreddo Padão 

-Arquivo da congregação Scalabriniana em Roma- Giovanni Terragni

-Parecer da tradução:Clea Ana Seganfredo

-transcrição melhorada por Alessandro Seganfreddo

-melhoramento da visibilidade da cartas manuscritas- Fernanda do Canto

-colaboração- Vilmar Antonio Troian





quinta-feira, 26 de março de 2026

CARTA ANO 1897- DE CAPOEIRAS( NOVA PRATA) PARA GIOVANNI BATTISTA SCALABRINI- UMA NARRATIVA DA DESGRAÇA QUE SE ABATEU SOBRE A FAMÍLIA


16.setembre 1897
                                                       

Excelência Reverendíssima

Don Giovanni Battista Scalabrini

Piacenza-Itália

 

   Eis aos pés de Vossa Excelência o último de seus missionários, abatido e alvo primeiramente  da desventura e depois maltratado e caluniado pelo Padre Pietro Colbacchini. Excelência, um golpe adverso  lançou na miséria minha pobre família e, encontrando-se esta nessas tristes condições, em 4 de abril do corrente ano, partiram de Gênova meus velhos pais em companhia de um dos meus irmãos, que tem esposa e sete filhos, sendo a filha mais velha com apenas catorze anos. Embarcaram com passagem  gratuita , tendo para a viagem apenas duzentas liras, doadas pelo muito Reverendíssimo Don Antonio Cogo,  Arcebispo  de Mason, Província de Vicenza. Quando chegaram ao Rio de Janeiro, ao invés  de serem embarcados para o Rio Grande do Sul, conforme desejavam, foram mandados por aquelas autoridades para a província de Minas Gerais, onde tiveram que permanecer trabalhando sob um fazendeiro que mal  lhes  pagava o necessário para viver.

Escreveram-me, narrando sua miséria e escravidão, pedindo-me ao mesmo tempo ajuda e socorro pelo amor de Deus. Além disso, nos arredores grassava a febre amarela e onde estavam havia tantos insetos que não os deixavam em paz nem de dia nem de noite. Estavam tão atormentados  pelos insetos que seus corpos se tornaram  chagados  ..Testemunha ocular de como os encontrei  é  o padre Marco  Simoni. Sabendo disso, escrevi ao Padre Pietro, que estava  em outra região (Nova Bassano), mostrando-lhe as cartas que recebi  e solicitei  licença para  ir  buscá-los. Ele respondeu que, de sua parte, jamais permitiria que eu fosse buscá-los onde estavam , contudo, queria que eu fosse até ele .Fui.  Fez-me uma carta para levar à diretoria da Colônia. Peguei a carta e  sem dizer nada  voltei e encorajado pelo  pelo Padre Serraglia e pelo vigário de Alfredo Chaves Don Matteo Pasquali, parti no dia 2 de julho e voltei em 8 de setembro. Esclareço também ,  que se eu tivesse demorado mais uns vinte dias, eles não poderiam mais partir, pois acabaria  o tempo concedido pelo governo daquela Província aos colonos para escolherem novo destino  , após o qual os mesmos  não poderiam mais optar ir para outra localidade. Antes de partir de Capoeiras, consegui emprestados 400 mil réis, equivalentes a 320 liras italianas, e, como isso não bastou para as despesas de viagem, outros 500 mil réis, equivalentes a 400 liras italianas, enviados pelos meus companheiros de São Paulo-Ipiranga. Assim, pude transportar minha família até Porto Alegre. Meus pais, o pai com oitenta anos e a mãe com setenta, deixei-os em São João de  Montenegro, no dia 2 de setembro, em ótima saúde, porém  não pude levá-los comigo  para a Colônia devido ao mau tempo e às estradas intransitáveis.  Eu parti a pé, caminhando por três dias sob uma chuva torrencial, com meu irmão e  cinco dos seus   filhos.

Digo a verdade, Excelência, experimentei as penas do purgatório, para não dizer as do inferno. Paciência, cheguei não em boa saúde, mas pelo menos ainda vivo. Fiz isso por falta de meios para viver. Esses excessos abalaram todo o meu organismo e, tendo tido artrite em Piacenza, agora, após essas provações, sinto dores nos ossos, ao ponto de não conseguir viajar. Digo-lhe isso porque, antes de partir de São Paulo-Ipiranga, meus companheiros de lá me pediram que voltasse para eles, dizendo-me que fariam a Vossa Excelência o pedido relativo. Mas, por ora  mesmo que  me impusesse em votos de santa obediência para ir, não poderia fazê-lo por razões de saúde. Ao voltar, o Padre Pietro escreveu-me uma carta injuriosa e caluniosa, avisando-me que não me queria mais sob sua autoridade. Disse que havia escrito a Vossa Excelência e ao Monsenhor Bispo de Porto Alegre e que eu aguardasse a decisão  dos meus superiores  decidirem  qual destino me  dariam.  . Sou acusado pelo Padre Colbacchini de dois enormes delitos: o primeiro, que, sem sua licença explícita, parti para libertar da escravidão e da miséria meus velhos pais. O segundo, porque sou bem-vindo pelos colonos e preferido a ele. Que culpa tenho eu se minha família estava e está na mais absoluta miséria? Que culpa tenho eu , se os colonos me querem bem e me preferem sem qualquer mérito   meu , a ele? Estas são minhas faltas. Ele ainda acrescenta outras inventadas  e são testemunhas três vigários destas redondezas: Don Giovanni Fronquetti, de Conde D”Eu Don Giovanni Menegotto, de Bento Gonçalves; Don Matteo Pasquali, de Alfredo Chaves; sem contar as milhares de famílias que estão dispostas a testemunhar a meu favor. Este bendito homem, o Padre Colbacchini, não sei realmente como trata-lo  . Sempre me calunia e diz que falo mal dele, o que não é verdade. Vai  até os  colonos e diz que a culpa é minha por tratar familiarmente com eles. Foi também ameaçado enquanto eu estava em Porto Alegre, e ele diz que a culpa é minha. Escreveu ao   bispo,( de Porto Alegre)  acusando-me de não pagar as taxas prescritas. Diz que não sei a  moral, e devo fazer os exames novamente para certificá-lo que posso exercer meu ministério. Confrades dessa qualidade não me agradam. Quando o Padre Pietro foi apresentado aos colonos, pela primeira vez, apresentou-se com  um ar de Grande Sultão dos Tártaros, e depois quer que falem bem dele.

            O Monsenhor Bispo de Porto Alegre me recebeu com caridade e, depois de ouvir não a mim , mas aqueles que me acompanharam, como estavam as coisas, mandou-me de volta ao meu posto, impondo ao Padre Pietro que me deixasse em paz, dizendo: "Você falta com a caridade com seus subordinados." Estas são coisas que não me agradam. Se este bendito homem faltasse alguma vez com a caridade  somente , mas falta com a educação e a civilidade. Tenho quarenta e seis anos, aos quatorze deixei a escola por falta de meios e fui ganhar o pão na casa dos outros. Vivi com todo tipo de pessoas, mas nunca encontrei original semelhante. Disse a alguns colonos:”- o Padre Antonio Seganfreddo eu o quero  fora do território de Alfredo Chaves, e será  expulso da Congregação, e chamado de volta à Itália e nunca mais porá  os pés na América. Se acaso   cometi delitos, meus superiores terão razão para chamar-me  de volta para a Itália , caso contrário, não poderão fazê-lo. Mesmo porque   a decisão deve  partir  de mim antes mesmo de fazer os  votos. Digo- vos   estas palavras: "Não tenho dificuldade em fazer os votos perpétuos, mas, como viajei tanto ao longo da minha vida, peço para ser mandado ao território de Alfredo Chaves e lá terminar meus dias, sem ser enviado para outro lugar. Tudo foi premeditado  agora para satisfazer um insatisfeito, acredito que meus superiores  não farão isso. Eu, porém, mereço todos os desprezos e mereço ser colocado no último lugar porque não sou bom para nada, servo inútil, um pobre miserável, carente de todas as qualidades e virtudes necessárias para exercer o sublime ofício de missionário. De fato, o Padre Pietro diz que não tenho vocação e, por isso, diz que  ficarei sem as minhas dificuldades   e sem o meu ministério., pois esse é infrutífero.. E eu francamente respondi: o bem não faz barulho e o barulho não é o bem. O bem se faz com a ajuda de Deus, quando Ele quer e da forma que Ele gosta. Excelência, diante do julgamento do Padre Pietro os meus superiores devem me expulsar. Expulse-me, Excelência, eu mereço. Terei merecido por ter usado de mau comportamento com meu superior local e por ter faltado com todas aquelas gentilezas e cuidados que o Padre Pietro merece. Mas digo que, não sou malicioso , nunca lhe faltei      com o devido respeito. Deus é minha testemunha. Suporto os desprezos e as injúrias em santa paz, mas não posso suportar as calúnias, porque ajudei minha pobre família e devo continuar a ajudá-la pelo menos até o final da primeira colheita. Anotei  tudo o que gastei com eles e o que gastarei com a ajuda nos próximos meses . Quando estiverem acomodados na terra, em breve estarão em condições de restituir tudo o que receberam de mim. Terei feito mal, mas em extremis omnia bona fiunt communia.

Perdoe-me, Excelência, abençoe-me e recomende-me a Deus porque realmente preciso.

Respeitosamente, beijo o sagrado anel implorando sua bênção pastoral.

Serei de Vossa Excelência um humilde filho.

Capoeiras, 16 de novembro de 1897.

Padre Antonio Seganfreddo.

CONSIDERAÇÕES:

 

extremis omnia bona fiunt communia= em extrema necessidade


  • A Crise Familiar: A família de Seganfreddo (pais idosos, irmão, cunhada e 7 sobrinhos) emigrou de Mason Vicentino. VI.Partindo do porto de Gênova em abril com apenas 200 liras, e foram parar em outro Estado do Brasil.
  • O   Destino: Ao invés do Rio Grande do Sul, foram enviados para Minas Gerais, onde viveram em condições análogas à escravidão, sofrendo com a  ameaça da febre amarela e insetos.que os deixaram  cheios de feridas.
  • O Resgate: Contra a vontade do Padre Pietro Colbacchini (seu superior local), Seganfreddo viajou em julho para buscá-los, financiando a viagem com empréstimos de colegas de São Paulo.
  • A Chegada ao RS: Ele conseguiu trazer a família para Porto Alegre e depois para São João de Montenegro (atual Montenegro),deixou ali os velhos pais , a cunhada Giovanna Nicoli e os dois menores  e partiu com o irmão e cinco dos filhos até Capoeira.Caminharam por tres dias e chovia muito.  Segundo a carta eles foram de Monte Negro até Capoeiras( Nova Prata)  a pé sob chuva torrencial.
  • O Conflito: O Padre Colbacchini o acusou de desobediência e falta de preparo moral, pedindo sua expulsão, enquanto Seganfreddo se defendia alegando caridade cristã com seus pais.Porém o bispo de Porto Alegre foi complacente para com ele, escrevendo ao padre Pietro que tivesse caridade para com seus subordinados.
Personagens Citados
  • Destinatário: Dom Giovanni Battista Scalabrini (Piacenza).
  • Autor: Padre Antonio Seganfreddo (46 anos na época).
  • Antagonista: Padre Pietro Colbacchini (pioneiro das missões scalabrinianas no Brasil).
  • Testemunhas: Padre Mario Simoni, Padre Serraglia, Dom Matteo Pasquali (Alfredo Chaves/Veranópolis), Don Giovanni Fronquetti (Conde D’Eu/Garibaldi) e Don Giovanni Menegotto (Bento Gonçalves
  • Essa carta enviada em setembro, quando o padre Antonio Seganfreddo retornou de Minas Gerais trazendo a família a qual desembarcando no porto de Santos  ao invés de serem enviados ao Rio Grande  do Sul onde já estavam Lúcia, Giuseppe e padre Antonio foram enviados a trabalhar em uma lavoura de café em Conquista, Minas Gerais, Triângulo Mineiro.
  • Eles conseguiram comunicar-se com o padre Antonio enviando uma carta, que demorou para chegar pois tudo era lento. Conquista , muito longe, em uma fazenda de café, ficaram lá trabalhando.
  • A nonna Catterina contava que dormiam todos juntos em um galpão, supomos fosse uma senzala, onde os escravos recém libertos ficavam normalmente.
  • O trageto para chegar até Conquista era esse: com vapores costeiros menores que saiam do Lago Guaiba e iam até São Paulo.Provavelmente foi verificar para onde teriam ido, foi até a Hospedaria Horta Barbosa em Juiz de Fora, Minas, de trem saindo do Rio de Janeiro, e depois de Juiz de Fora onde estavam os registros na Hospedaria Horta Barbosa foi até Conquista, quiçá de trem até uma parte e outra até chegar a fazenda com outro meio. Por isso demorou tanto a voltar, trazendo pai, mãe, irmão, cunhada e 7 filhos, dentre os quais minha nonna Catterina com 14 anos.
  • Tradutora: Ana Maria Seganfreddo
  • Fontes de pesquisa:
  • Arquivo da Congregação de São Carlos em Roma
  • livro Raízes de um povo-de Redovino Rizzardo
  • Web, Storia della Congregazione Scalabriniana

CARTA DE 16 DE SETEMBRO DE 1897- PADRE ANTONIO SEGANFREDDO ESCREVE A DOM GIOVANNI BATTISTA SCALABRINI

 Eccellenza Reverendíssima

16 di Settembre 1897

      Ecco ai piedi dell’Eccellenza l’ultimo dei suoi missionari, abbattuto e fatto bersaglio prima della
sventura e poi maltrattato e calunniato dal P. Pietro Colbacchini. Eccellenza un colpo avverso
di fortuna gettó nella miseria la mia povera famiglia , e trovandosi questa in si tristi condizioni ,
ai quattro aprile corrente anno, partirono da Genova i miei vecchi genitori in compagnia di uno
dei miei fratelli, il quale ha moglie e sette figli, la figlia maggiore ha soli quattordici anni . Si
imbarcarono colla gratuità, tenendo di scorta per il viaggio soltanto che duecento lire donate
queste dal molto Rev. Don Antonio Cogo Arciprete di Mason, Provincia di Vicenza. Quando
furono a Rio de Janeiro in luogo di essere imbarcati per Rio Grande do Sul, come era loro
desiderio, furono mandati da quelle autorità nella provincia di Minas Gerais e dovettero
assoggettarsi sotto un fazendero il quale appena appena vi dava loro il necessario per vivere.
Mi scrissero, narrandomi la loro miseria e la loro schiavitù, domandandomi nel medesimo tempo
aiuto e soccorso per amore di Dio. Di più, in quei dintorni serpeggiava la febbre gialla, e dove
dimoravano c’erano tanti insetti che non li lasciavano nè giorno, nè notte. Erano tanto
tormentati, che i loro corpi erano diventati tutta una piaga. Testimonio oculare del loro stato
miserando è il padre Marco Simoni. Sapendo questo scrissi al P. Pietro che era da me lontano,
facendogli recapitare anche le lettere, domandando licenza di andare a prenderli. Mi rispose
che dal canto suo non permetterà giammai; volle però che andassi da lui, mi fece una lettera
da portare alla direttoria della colonia. La presi senza dir nulla, e spinto anche dal padre
Serraglia e dal vicario de Alfredo Chaves Don Matteo Pasquali, partii lo stesso ai due di luglio e
tornai ai otto di settembre. Noti però che se tardava ancora una ventina di giorni, non potevano
più partire, perché terminava il tempo concesso dal governo ai coloni per la scelta della loro
dimora, passato il quale i coloni non sono più padroni di cambiare luogo. Prima di partire dalla
Capoeiras trovai in prestito 400 mila reis pari 320 lire italiane e non bastando queste per le
spese di viaggio, altri 500 mila reis, pari lire 400 italiane, me le hanno date i miei compagni di
San Paolo - Ipiranga. Con tale somma potei trasportare la mia famiglia fino a Porto Alegre. I
miei genitori, il padre con ottant'un anno e la madre con 70, li ho lasciati al San Giovanni
Montenero, ai due settembre in buonissima salute non potendo condurli in colonia a cagione
del cattivo tempo e delle strade impraticabili. Io partii lo stesso camminando tre giorni sotto una
pioggia torrenziale, ed avevo con me il fratello con cinque figli. Se dico il vero, Eccellenza ho
proprio provato le pene del purgatorio, per non dire quelle dell’inferno. Pazienza, son arrivato,
non in buona salute ma almeno ancor vivo. Ho fatto questo per mancanza di mezzi per vivere.
Quei patimenti mi hanno proprio sconcertato tutto l'organismo, e avendo avuto un’artrite a
Piacenza, ora dopo quei strapazzi ho le ossa indolenzite, anzi non sarei più capace di fare un
giorno di viaggio. Le dico questo perché prima di partire da San Paolo - Ipiranga i miei
compagni con molte istanze, mi pregarono di ritornare a loro, dicendomi: che faranno a Vostra
Eccellenza relativa domanda. Ma per ora anche se mi imponesse in virtù di santa obbedienza
di andare, non potrei farlo, per ragioni di salute. Appena tornato il P. Pietro mi scrisse una
lettera ingiuriosa e calunniatrice, avvertendomi che non mi vuole piu sotto la sua potestà. Mi
disse di aver scritto a V. Eccellenza e anche a Monsignor Vescovo di Porto Alegre, e che io
intanto aspettasse la decisione di mia sorte dai miei superiori. Io sono imputato dal Colbacchini
di due enormi delitti. Il primo, che senza sua esplicita licenza, sono andato a liberare dalla
schiavitù e dalla miseria i miei vecchi genitori. Il secondo, perché son ben voluto dai coloni, e
preferito a lui. Quale colpa ne ho io, se la mia famiglia si trovava e si trova nella più squallida
miseria? Quale colpa, se i coloni mi vogliono bene e mi preferiscono, senza alcun mio merito, a
lui? Queste sono le mie mancanze, egli poi ne aggiunge dalle altre da lui inventate; e ne sono
testimoni tre vicari di questi dintorni : Don Giovanni Franchetti di Contedeo, Don Giovanni
Menegotto, di Bento Gonçalves, Don Matteo Pasquali di Alfredo Chaves senza contare più le
migliaia di famiglie, le quali son pronte a testificare nella mia condotta. Questo benedetto uomo
del Colbacchini non so proprio come prenderlo. Sempre mi calunnia e dice: ch’ io dico male di
lui, mentre non é vero. E’ avversato dai coloni e dice: che sono io la causa perché tratto
famigliarmente con loro. Fu anche minacciato, mentre io ero a Porto Alegre e dice: che la
causa sono io. Mi ha fatto chiamare dal vescovo di Porto Alegre imputandomi che non pago le
tasse prescritte. Dice che non so la morale, e dovetti fare gli esami . Confratelli di questa
qualità non mi vanno bene. In quanto poi che il P. Pietro fu avversato dai coloni, sfido io, si è
presentato la prima volta con un’aria da Gran Sultano dei Tartari, e poi vuole che ne dicano
bene. Monsignor Vescovo di Porto Alegre, poi mi accolse con caritá, e dopo di aver sentito,
non da me ma da coloro che mi accompagnarono, come stavano le cose mi rimandò al mio
posto, imponendo a Padre Pietro di lasciarmi in pace rimproverandolo col dire: voi mancate di
carità con i vostri dipendenti. Queste son cose che a me non piacciono. Se questo benedetto
uomo mancasse qualche volta di carità, ma manca di creanza e di civiltà. Ho quarantasei anni,
a quattordici ho lasciato la scuola per mancanza di mezzi, sono andato a guadagnarmi il pane
in casa altrui; vissi con ogni sorta di individui ma non ho mai incontratto un’originale simile.
Ha detto a alcuni coloni: il P. Antonio Seganfreddo assolutamente lo voglio via del territorio di
Alfredo Chaves, e sarà anche scacciato dalla Congregazione; sarà richiamato in Italia e più
non porrà piede in America. Se avrò commesso dei delitti, i miei superiori avranno ragione di
far questo, altrimenti non lo potranno fare; giusta la condizione posta da me ancor prima dei
voti, e accettata da Vostra Eccellenza. Queste son le precise parole: non ho nessuna difficoltà
per fare i voti perpetui, ma siccome che io ho viaggiato tanto nel corso della mia vita domando
di essere mandato nel territorio di Alfredo Chaves, e la terminare i miei giorni, senza esser
rimandato altrove. Tutto fu combinato, ora per accontentare un’ incontentabile, credo che i miei
Reverendi Superiori non lo faranno. Io però merito tutti i disprezzi, e merito di essere
rincantucchiato nell’ultimo posto perché io non sono buono a nulla, servo inutile, un povero
miserabile mancante di tutte quelle doti e virtù necessarie per adempiere il sublime officio
missionario: anzi il Padre Pietro mi consigliò di chiedere lo scioglimento dei voti per il bene
dell’anima mia e dice che non ho vocazione, e per questo dice: che restano senza frutto le mie
fatiche e il mio ministero. Ed io francamente risposi: che il bene non fa rumore e il rumore non è
bene. Il bene si fa coll’aiuto di Dio, e quando vuole Lui, e nel modo che a Lui piace. Dunque
Eccellenza dietro il giudizio del P. Pietro ella dovrebbe scacciarmi. Mi scacci pure Eccellenza io
lo merito, ovvero l’avrò meritato pel mal sostegno usato verso il mio superiore locale, e per aver
mancato di tutte quelle gentilezze e riguardi e che esige e che merita il P. Pietro. Sia certo però
e le assicuro, che con malizia non ho mai mancato dei dovuti rispetti, Dio mi è testimonio. I
disprezzi e le ingiurie li tollero con rassegnazione e in santa pace, ma le calunnie non posso,
perchè queste non sono difetti nè mancanze. Farà di me eccellenza quello che vorrà. Ora ho
aiutato la mia povera famiglia, e devo ancora aiutarla almeno fino al primo raccolto. Ho tenuto
conto di tutto ciò che ho speso per loro, terrò conto di tutto ciò che spenderò per l’avvenire, e
tutto sarà restituito il prima possibile. La mia famiglia ha bisogno di aiuto in questa tristissima
circostanza, ma quando sarà accomodata sul terreno, essa sarà in breve tempo, in grado di di
fare la restituzione di tutto ciò che ha ricevuto da me. Avrò fatto male ma in extremis omnia
bona fiat communia.

Mi perdoni Eccellenza, mi benedica, mi raccomandi a Dio perchè ne ho proprio bisogno.

Rispettosamente le bacio il sacro anello implorando la sua pastorale benedizione.

Sono dell;Eccellenza vostra Reverendissima umile figlio.

Capoeiras 16 settembre 1897

P. Antonio Seganfreddo.



O Gemini disse



 Non è scritto nell'italiano che useremmo oggi. Sebbene sia perfettamente comprensibile per un madrelingua, è quello che definiremmo italiano formale tardo-ottocentesco (o italiano burocratico-ecclesiastico del XIX secolo).

Revissão da transcrição:Seganfreddo Alessandro